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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

PRIMEIRO PRODUTO AGRÍCOLA BRASILEIRO RECEBE DENOMINAÇÃO DE ORIGEM.

O arroz do litoral norte gaúcho será o primeiro produto agrícola brasileiro a receber o registro de Denominação de Origem. Trata-se de uma modalidade de Indicação Geográfica (IG) do alimento que apresenta características exclusivas (aspecto, sabor, consistência) em decorrência do seu local de origem, como o clima e topografia. O Certificado de Indicação Geográfica - espécie de Denominação de Origem - foi entregue à Associação de Produtores de Arroz do Litoral Norte Gaúcho (Aproarroz) pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), nesta quarta-feira, 1º de setembro. A solenidade ocorreu em Esteio (RS), na programação da 33ª Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer).

O registro de indicação geográfica conquistado pelos produtores da região agrega valor e imprime uma marca de qualidade ao cereal. Há marcas de reconhecimento mundial, como o presunto italiano de Parma, o queijo Roquefort e o Champagne franceses. A indicação geográfica significa um ganho de qualidade no produto, permitindo maior competitividade nos mercados nacional e internacional.

O reconhecimento do arroz gaúcho como Denominação de Origem foi possível pelo apoio de diversas instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o INPI, que concede o registro, além do Mapa.

O Ministério da Agricultura apoia tecnicamente associações de produtores para que os empreendedores rurais atendam os requisitos para da IG. No caso do arroz gaúcho, treinamentos promovidos por técnicos do ministério abordaram a organização da produção e incentivaram medidas de agregação de valor e diferenciação do produto.

Características.
A principal peculiaridade do arroz produzido na região do litoral norte gaúcho é a maior percentagem de grãos inteiros e a baixa taxa de gessamento, que confere maior translucidez e cor branca mais intensa ao grão. Isso é possível pela influência dos ventos, da temperatura e da umidade que predominam na área. O vento constante e a quantidade de água na região, pela proximidade com a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, proporcionam clima e temperaturas estáveis, ideais para o cultivo do arroz.

Conforme a técnica da Superintendência Federal de Agricultura no Estado do Rio Grande do Sul, Ana Lúcia Stepan, o arroz do litoral norte gaúcho já é reconhecido e valorizado pelos atacadistas e beneficiadores de todo o País, como produto de melhor qualidade e maior rendimento. "Mas estas características ainda não são conhecidas pelo grande público. Com o registro da Denominação de Origem, a expectativa é que o consumidor perceba essas vantagens e consolide a demanda pelo produto de qualidade garantida", afirma.

Outras sete indicações geográficas no Brasil, todas na modalidade Indicação de Procedência, são os vinhos e espumantes do Vale dos Vinhedos (RS), café do Cerrado Mineiro, carne e derivados do Pampa Gaúcho, cachaça de Paraty (RJ), uva de mesa e manga do Vale do Submédio São Francisco (BA e PE), couro acabado do Vale do Sinos (RS) e vinhos e espumantes de Pinto Bandeira (RS). Na Indicação de Procedência, o alimento é reconhecido pelo modo de produção peculiar de determinada cidade, região ou País.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ARROZ PRETO PODE AJUDAR NO COMBATE AO CÂNCER.


Cultivado na China, mas adorado no Ocidente, o arroz preto pode ser eficiente na prevenção de ataques cardíacos e no combate ao câncer. Cientistas da Louisiana State University analisaram amostras do produto cultivadas no sul dos Estados Unidos e encontraram altos índices de antocianina e antioxidantes .

Também presentes em frutas e vegetais, como o pimentão vermelho, estas substâncias garantem a cor escura do arroz e ajudam na proteção das artérias e previne as lesões no DNA, que desencadeiam o câncer. “Uma colher de arroz preto contém pouco açúcar e ainda é rica em fibras, antioxidantes e vitamina E”, defende o cientista Zhimin Xu.

No passado, o arroz preto era conhecido na China como “arroz proibido” porque aparecia somente nas refeições da nobreza. Hoje, o cereal é comum nas receitas de sushis e sobremesas asiáticas. Zhimin Xu acredita ainda que o grão tem potencial para incrementar bebidas, massas, bolos, bolachas, entre outros.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

SAFRA DE GRÃOS 2009/2010 DEVE SUPERAR A ANTERIOR EM 9,2%, ESTIMA IBGE.

A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve chegar a 146,4 milhões de toneladas em 2010, resultado recorde na série histórica da produção nacional, informou nesta quinta-feira (05/08) o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a sétima estimativa do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a safra deve ser 9,2% maior do que a obtida em 2009, de 134 milhões de toneladas. A projeção supera em 0,3% a do levantamento anterior, divulgado em junho.

A área plantada das três principais culturas – soja, milho e arroz, que respondem por 83,1% do total – deve apresentar variações de 7,2%, -6,5% e -5,9%, respectivamente, em relação ao ano anterior. Quanto à produção, o milho e a soja devem apresentar expansão de 4,4% e 19,8%, respectivamente, e o arroz deve ter retração de 10,3%.

Das cinco regiões do país, o Sul deve produzir o maior volume de grãos – 63,1 milhões de toneladas. O Centro-Oeste deve responder por 50,9 milhões de toneladas, seguido do Sudeste, com 16,5 milhões; do Nordeste, com 12 milhões; e do Norte, com 3,9 milhões.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também divulgou um levantamento da safra de grãos. Segundo a estatal, devem ser colhidos 147,1 milhões de toneladas na safra 2009/2010. A diferença entre os dados divulgados pelo IBGE e pela Conab se deve aos períodos avaliados. O IBGE analisa a colheita de janeiro a dezembro, enquanto a Conab se baseia no ano-safra, que vai de agosto a julho.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

PARABÉNS, AGRICULTOR! 28 DE JULHO, DIA DO AGRICULTOR...

O agricultor

Antônio Cândido Barone

.

Ele está lavrando a terra
Com chuva, sol ou calor;

Nunca deixa a sua roça

Nosso irmão agricultor!

.

Empunhando a sua enxada

Vive sempre capinando;

A lavoura vai crescendo

Quando o chão vai cultivando.

.

E vem da terra bendita

Toda a fartura e grandeza;

Da umidade do suor

Há de brotar a riqueza.

.

Vem dali o alimento

Que surge do sacrifício

Vem dali todo o sustento

Através do benefício.

.
Quando passares na roça,

Vendo alguém a trabalhar,

Cumprimente-o com respeito

Sem receio de abraçar!

.

Pois dentro da natureza,

Esse alguém - rosto suado –

Confundindo-se na terra,

É por Deus abençoado!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

BRASIL DEVE COMERCIALIZAR DIESEL DE CANA-DE-AÇÚCAR EM 2011.

O Brasil deve comercializar diesel produzido a partir de cana-de-açúcar em 2011, segundo a produtora americana do biocombustível Amyris Biotechnologies, após inaugurar um projeto em associação com a prefeitura da cidade de São Paulo, nesta terça-feira (20/07).

Segundo a divisão brasileira da Amyris Biotechnologies, a fábrica da São Martinho, em Pradópolis, SP, que irá produzir biocombustível em grande escala, deve entrar em funcionamento no próximo ano. A comercialização do produto será imediata.

No projeto piloto desenvolvido pela Amyris, em parceria com a prefeitura, três ônibus do transporte urbano público serão abastecidos com 5% do biodiesel de cana-de-açúcar, enquanto outros três serão abastecidos unicamente com biocombustível, a fim de estabelecer um comparativo de rendimento. A Amyris, que desenvolveu o biocombustível de segunda geração, escolheu o mercado brasileiro como plataforma do produto e espera se unir aos grandes produtores locais de etanol, como Cosan, Bunge e Açúcar Guarani, para conseguir atender a futura demanda.

Participam também da inciativa a multinacional automotiva alemã Mercedes-Benz, encarregada de fabricar os motores dos ônibus, e a Petrobras, que tomará conta da distribuição do diesel de cana-de-açúcar. O diesel de cana-de-açúcar foi aprovado pelos organismos reguladores dos Estados Unidos, que o consideraram o biocombustível menos poluente e que não atenta contra a produção de alimentos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

COMISSÃO DE AGRICULTURA DA CÂMARA DISCUTE PROJETO DE GARANTIA DE RENDA AO AGRICULTOR.

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados realizou audiência pública na última terça-feira (13/07) para discutir o Projeto de Lei 5.424/2009, de autoria do deputado Carlos Melles (DEM-MG), que propõe a instituição de subvenção econômica ao produtor, como forma de estimular o desenvolvimento sustentado da atividade rural.

A proposta é usar recursos públicos para liberar uma média de R$ 500 ao ano por produtor, garantindo, assim, uma espécie de renda mínima no setor agropecuário. Autor do pedido de realização da audiência, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) argumentou que, apesar de gerar receitas para o país, “o setor primário sofre com a falta de políticas de renda”.

O objetivo da subvenção econômica é reduzir os efeitos dos riscos advindos da instabilidade do clima e de variações no câmbio, no crédito e no mercado como um todo.

O gerente de Mercado da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Evandro Ninaut, classificou o projeto como uma oportunidade de garantia de renda mínima a produtores rurais, mas, em sua avaliação, há formas mais eficientes de subsidiar a agricultura, como a instituição de seguros rurais, prêmios por produção e incentivos à regularidade florestal da propriedade.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

COOPERAÇÃO ENTRE BRASIL E UNIÃO EUROPÉIA PODE MELHORAR COMÉRCIO DE ALIMENTOS.

Nos próximos dois anos, fiscais federais agropecuários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) serão treinados no diagnóstico de doenças, pragas, inocuidade de alimentos, zoonoses e contaminantes, nos mesmos moldes que os técnicos europeus da Diretoria-Geral de Saúde e Proteção do Consumidor (DG-Sanco, sigla em inglês). A capacitação é parte das ações do Projeto de Cooperação União Europeia - Mercosul, para a harmonização de normas e procedimentos veterinários e fitossanitários, inocuidade de alimentos e produção agropecuária diferenciada no bloco sul-americano. As medidas também serão válidas para Argentina, Uruguai e Paraguai.

As ações para o biênio 2010/2011 foram definidas, este mês, em Montevidéu (Uruguai) e terão o investimento de 651 mil euros. Segundo o coordenador de Assuntos Internos do Mercosul, do Departamento de Assuntos Comerciais (DAC/Mapa), Luis Henrique Barbosa, o projeto, financiado pelos dois blocos econômicos, tem o propósito de criar ferramentas para favorecer a integração sanitária regional e facilitar o comércio de alimentos.

“Poderemos adotar, por exemplo, um sistema de alerta sanitário para produtos agropecuários dentro da região e para produtos importados de terceiros países”, explica o coordenador. O objetivo, diz ele, é fortalecer as políticas preventivas em defesa do consumidor do Mercosul, além de ampliar o acesso dos produtos do bloco aos mercados importadores.

Seminários e boas práticas - Entre as ações previstas está, ainda, a realização de 16 seminários sobre técnicas de auditorias, análises de risco, gestão da segurança alimentar, controles sanitários nas fronteiras, gerenciamento de laboratórios e controles preventivos de pragas quarentenárias. Também poderão ser desenvolvidas propostas de manuais e guias para padronizar, na região, o controle sanitário nas fronteiras, além de criar sistemas comuns de inspeções em estabelecimentos produtores de alimentos.

Os pequenos produtores também serão beneficiados com o projeto. Será elaborada uma proposta de manual regional de Boas Práticas Agrícolas e Pecuárias, possibilitando melhoria dos sistemas de produção e acesso ao mercado europeu de frutas, hortaliças e produtos de origem animal.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CNA MOSTRA FALHAS DO CENSO AGROPECUÁRIO 2006 DO IBGE.

A Comissão de Agricultura do Senado deve convocar para a próxima semana audiência pública com pesquisadores e o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para apontar os responsáveis pelo erro e saber quem vai pagar os prejuízos causados pela falha no Censo Agropecuário.

O próprio IBGE já reconheceu que há erros nos dados sobre concentração de terra no Censo Agropecuário. A CNA chamou a FGV para analisar os dados e checar os níveis das falhas. Consultorias privadas também se reuniram para estudar as informações e pretendem divulgar um documento sobre o assunto. Porém, isso ainda não tem data prevista.

A Consultoria Céleres ficou responsável por estudar as informações sobre o algodão. Cristiano Ramos, o diretor responsável por esta avaliação antecipa que as diferenças entre o Censo e outras pesquisas são grandes.

Ramos alerta que, nas atuais condições, se o Censo servir como referência para investimentos, ele traz riscos para a tomada de decisões dos produtores.

Nesta segunda, dia 16, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil divulgou uma alerta apontando mais diferenças entre o Censo Agropecuário e outras pesquisas do próprio IBGE. Segundo a CNA, o Censo registra em 2006 uma produção de leite 21% menor que a da Pesquisa Pecuária Municipal do mesmo ano. A mesma diferença foi encontrada na produção de soja. Os números devem ser discutidos semana que vem na Comissão de Agricultura do Senado para apontar os responsáveis pelas falhas.

A presidente da Confederação, senadora Kátia Abreu, acredita que pode até ser exigida uma nova contagem do censo.

— Esses dados equivocados trazem um prejuízo enorme não só aos produtores rurais, traz prejuízos enormes à economia nacional porque houve uma redução da produção no país. Esses números estão rodando por todo o mundo, o Censo Agropecuário é motivo de curiosidade por todos os países, por todos aqueles que produzem alimentos — avalia Kátia.

Para o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, a produtividade da agricultura familiar mostrada pelo censo incomoda os grandes produtores. Em entrevista por telefone ao Canal Rural, Cassel, que está em Roma, classificou de exagero a afirmação da CNA de que o erro no censo causa um prejuízo enorme e defendeu a pesquisa do IBGE.

— Isso acontece normalmente quando se publica um censo com a dimensão do Censo do IBGE. O Censo do IBGE é muito importante para o Brasil, é um organismo que tem a maior credibilidade, a maior qualidade técnica. O Censo, do ponto de vista técnico-científico, é muito apropriado e os resultados são excelentes. Não vejo porque agora tentar desqualificar o trabalho do IBGE. Isso não é justificável — concluiu o ministro.

BRASIL EM 4º LUGAR NA PRODUÇÃO DE MILHO.


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou os resultados dessa cultura nas safras 2006/2007, 2007/2008 e 2008/2009 em 16 países e as perspecctivas para 2009/2010, com base em informações próprias e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

As safras analisadas indicam a liderança isolada dos Estados Unidos, como o grande produtor mundial de milho, sendo que o auge norte-americano foi entre 2007/2008, quando a colheita alcançou 331.177 milhões de toneladas do grão. No mesmo período, a China, que tradicionalmente é o segundo maior produtor de milho, colheu menos da metade, 152.300 milhões de toneladas.

“O que chama a atenção é que o Brasil está se firmando como o quarto maior produtor de milho do mundo” destacou o economista da Conab, Mariano Marques. O estudo mostra essa posição nas safras 2006/2007, 2008/2009 e deve manter esse resultado em 2009/2010, colhendo 51.000 toneladas de milho. Em 2007/2008, o País ocupou o terceiro lugar da lista, com 58.600 toneladas. Em média, o Brasil consome 45 milhões de toneladas e exporta sete milhões por safra. A exceção foi em 2006/2007, com a exportação de quase 11 milhões de toneladas. A previsão é que a produção brasileira se mantenha estável em 2009/2010.

Veja a apresentação da Conab:
http://www.agricultura.gov.br/pls/portal/url/ITEM/78961C7A1AE96778E040A8C075021F25

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NOVA TECNOLOGIA PARA CONTROLE DA SIGATOKA-NEGRA É APRESENTADA.

Simples e barata, uma tecnologia da Embrapa apresentada na última semana em Rondônia é a mais nova arma no combate à sigatoka-negra, a principal ameaça à cultura da banana em todo o mundo. Os cientistas descobriram que a aplicação de pequenas doses de fungicida em determinada parte das folhas das bananeiras é suficiente para garantir a saúde da planta e a produção de frutos de qualidade. A tecnologia foi apresentada em curso realizado na Embrapa Rondônia com participação de profissionais da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron).

Os estudos que deram origem à nova tecnologia tiveram início em 2003, na Embrapa Amazônia Ocidental, uma das 42 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Os pesquisadores aplicaram fungicidas em diferentes partes das bananeiras, como a raiz, o pseudo-cale (equivalente ao tronco da planta) e as folhas. Os melhores resultados foram obtidos com a aplicação de pequenas doses de fungicida puro na axila da segunda folha – contada de cima para baixo – da bananeira. A axila é a base da folha, onde ela se prende ao pseudo-caule.

Os números são animadores. Nos ensaios realizados pela Embrapa, bananeiras submetidas ao controle com a nova tecnologia apresentaram folhas verdes durante todo o período de produção dos cachos e conseguiram desenvolver frutos de qualidade. Os cachos pesam cerca de cinco quilos a mais que os produzidos por bananeiras em que a doença não foi controlada.

Engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Luadir Gasparotto explica que é necessária a adaptação de uma seringa para a aplicação dos fungicidas na axila da bananeira. Como não existe equipamento com tais caraterísticas no mercado, os pesquisadores utilizaram uma seringa veterinária e adaptaram uma mangueira de 25 cm de comprimento no lugar da agulha. Na extremidade da mangueira foi colocado um cano metálico, com cerca de dois metros de comprimento, para que seja possível aplicar o fungicida na folha que fica na parte mais alta da planta.

Além de eficaz, o método mostrou-se também barato. Enquanto outros tratamentos para controle da sigatoka-negra exigem 52 pulverizações de fungicida por ano, a nova tecnologia exige apenas três aplicações em cada ciclo produtivo. Com fungicidas a base de Flutriafol, são recomendados 2 ml do produto por planta em cada aplicação. Fungicidas a base de Azoxystrobin são aplicados em doses de 1 ml por planta.

Outra vantagem é ambiental. Com as pulverizações tradicionais, seja por meio de avião ou manual – com pulverizador costal –, o fungicida é lançado no ambiente, podendo contaminar outras plantas, animais e pessoas. As aplicações localizadas, com a seringa, evitam o desperdício e diminuem os riscos de contaminação ambiental.

Principal ameaça

Causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, a sigatoka-negra ataca as folhas da bananeira e foi descrita pela primeira vez em 1963, no Distrito de Sigatoka, nas Ilhas Fiji. Os primeiros sintomas da doença aparecem na face inferior da folha, como estrias de cor marrom, que evoluem para a cor preta. Provoca rápida destruição da folha, reduzindo a capacidade fotossintética e a produtividade da planta.

Luadir Gasparotto, um dos criadores da nova tecnologia de controle, mostra que existem duas formas de se driblar a doença. Uma delas é adotar variedades resistentes, como a BRS Conquista, da Embrapa. A outra é controlar a sigatoka-negra por meio da aplicação de fungicidas, o que até agora tinha elevado custo. Mais barata, a nova tecnologia permite até mesmo a pequenos produtores o controle da doença e o retorno do cultivo de variedades mais suscetíveis.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ZONEAMENTO AGRÍCOLA DEVE ATINGIR 40 CULTURAS ATÉ 2010.

Até o final de 2010, os agricultores familiares poderão contar com cerca de 40 culturas zoneadas, significando a ampliação, com mais segurança, de alternativas de plantio. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático permite que o agricultor inicie sua atividade agrícola em uma safra sabendo quais as épocas de plantio das culturas indicadas - o que reduz o risco da perda da lavoura em função de eventos climáticos -, considerando o ciclo da cultivar (semente) e o tipo de solo. (Veja quadro Brasil)

Segundo o coordenador-geral do Seguro da Agricultura Familiar (SEAF) da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA), José Carlos Zukowski, na safra 2003/2004, apenas sete culturas estavam zoneadas: milho, algodão, arroz, sorgo, feijão, soja e trigo. Agora na safra 2009/2010, são 35 culturas que contam com o serviço de zoneamento. “Essa ampliação é resultado de um trabalho articulado entre o MDA, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Embrapa”, explica Zukowski.

Progressos
Nos últimos cinco anos, o trabalho de ampliação tem sido aprimorado para atender às necessidades da agricultura familiar dando, assim, mais opções de escolha para culturas apropriadas às condições da região e da propriedade. “É importante que o agricultor procure orientação da assistência técnica para conhecer o zoneamento e efetuar o plantio nas datas indicadas”, ressalta Zukowski.

No Nordeste, há 22 culturas zoneadas. Somente nesta região, mais de 1.500 municípios foram incluídos no zoneamento para culturas como o sorgo (1.013 municípios), feijão caupi (1.224 municípios), milho (649 municípios) e arroz (339 municípios).

Os agricultores do Sul do País contam, nesta safra, com 24 culturas zoneadas. No Sudeste, são 24; no Centro-Oeste, 18; e no Norte, o zoneamento agrícola abrange 17 culturas. (Veja quadro regiões)

O coordenador também explica que tem sido feito um trabalho para ampliação das culturas da sociobiodiversidade. A portaria de zoneamento agrícola para o dendê, por exemplo, foi publicado e estão previstas, ainda, as portarias para a pupunha, a pimenta-do-reino, o gergelim, a palma, o açaí, entre outros produtos.

De acordo com Zukowski, para agricultores familiares do Norte do País, as portarias de zoneamento agrícola têm sido publicadas após a definição do zoneamento ecológico-econômico. Em Rondônia, já há zoneamento para o arroz, o feijão, o milho, a mandioca e o café, com previsão de novas culturas nos próximos meses. O Acre também possui zoneamento agrícola para arroz, dendê e mandioca.

Crédito com segurança
O zoneamento agrícola, divulgado Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), funciona como uma ferramenta de gestão de risco associado ao Seguro da Agricultura Familiar. Para que esteja segurado, o agricultor deve observar as recomendações do zoneamento para a sua cultura e município, especialmente a data de plantio e a cultivar (semente) utilizada. Além disso, o zoneamento orienta a contratação do crédito pelos bancos, indicando quais culturas são recomendadas para o município. Funciona, ainda, como instrumento de obtenção de crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) nas operações de custeio e é utilizado para que o produtor esteja protegido pelo SEAF.

Seguro da Agricultura Familiar
O SEAF é o seguro para agricultores familiares e cobre perdas causadas por eventos climáticos adversos como, seca, chuva excessiva, ventos fortes, ventos frios, granizo, geada e variação grave de temperatura. Além disso, podem ser cobertas perdas por pragas e doenças fúngicas que não tenham método de controle ou técnica economicamente viável.

Zukowski destaca que o agricultor deve certificar-se de que existe indicativo de plantio no município para a cultura, para o tipo de solo em que será desenvolvida a lavoura e para o ciclo de desenvolvimento da cultivar que será plantada. “Isso explica a importância do zoneamento agrícola e da assistência técnica e extensão rural”, diz.

O SEAF cobre até 100% do valor do financiamento do Pronaf, mais 65% da receita líquida esperada - limitada a R$ 2,5 mil. O direito da cobertura ocorre quando são verificadas perdas superiores a 30% da receita estimada no momento da contratação do financiamento junto ao banco.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

AGRONEGÓCIO ELEVA EM 24% O PODER DE COMPRA DO BRASILEIRO.

Entre 1994 e 2006, quase mesmo período decorrido entre os dois últimos censos agro do IBGE, o poder aquisitivo do consumidor aumentou 24% frente à alimentação (produtos agropecuários), segundo pesquisas do coordenador científico do Cepea, professor titular da Esalq/USP Geraldo Barros. Além desta contribuição direta aos brasileiros, o setor contribuiu com mais de US$ 300 bilhões (superávit da balança do setor no período) para as reservas do País, que ajudaram consideravelmente no pagamento da dívida externa. Para um período mais longo, que vai de 1975 a 2006, outros estudos de Geraldo Barros mostram que os preços agropecuários caíram em média 60%, a produtividade dobrou - favorecendo o aumento real dos salários -, mas a lucratividade média do setor diminuiu 20%.

Destaques - Apesar deste desempenho do setor, o professor destaca que, ao comparar 1995 e 2006, os dados do IBGE indicam a quase ausência do estado no cumprimento de seu papel de apoio à agropecuária, principalmente nas regiões mais carentes. Em sua análise, considera alarmantes o grau de analfabetismo entre os agricultores, a ampla falta de orientação técnica, o acesso muito baixo ao crédito rural. "Apesar de todo barulho em torno da questão da reforma agrária, ainda 85% dos trabalhadores rurais acham-se amontoados nos pequenos estabelecimentos. São, na maioria, trabalhadores da mesma família que não contam com terra suficiente que assegure condição de vida satisfatória. Certamente deveriam ser priorizados na distribuição de terra."

Alterações - Quanto às demais informações estruturais - como a distribuição da posse da terra - Geraldo Barros observa que o censo de 2006 mostra alterações muito pequenas em relação a 1995, "o que não deixa de ser interessante", destaca. O período foi de expressiva expansão do setor, tanto na produção de alimentos, como de fibras e energia. "Houve grande crescimento com queda significativa de preços para o consumidor e com avanço considerável no mercado externo, apesar do protecionismo dos países desenvolvidos, que tem prejudicado a lucratividade do setor. Tudo isso com queda de quase 7% na área dos estabelecimentos rurais, o que ajuda muito no controle do uso da terra do Cerrado e da Amazônia."

Renda - A comparação dos resultados pontuais de 2006 é desaconselhada pelo coordenador científico do Cepea, já que aquele ano não foi bom para a agropecuária. A renda foi 2% menor do que em 2005 e 12% inferior a 2004. O resultado foi impacto negativo nos gastos com insumos, que encolheram 15% em relação a 2004, e provavelmente na produtividade, comenta. Com base em dados do próprio IBGE, o professor lembra que a produção de soja relatada para 2006, por exemplo, de 40,7 milhões de toneladas foi 17,3% inferior à de 2004, de 49,2 milhões de toneladas. A produção de algodão encolheu em terço (33%) entre 2004 e 2006.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

PROGRAMA MAIS ALIMENTOS VAI SE TORNAR POLÍTICA PERMANENTE.

O governo vai tornar permanente o Programa Mais Alimentos, direcionado à agricultura familiar. O anúncio foi feito nesta quarta, dia 15, em Brasília pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. Depois de prorrogar por mais um ano o programa que financia a compra de tratores populares, a juros baixos, será transformado em política permanente.

A medida era reivindicada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), que veio à Brasília para cobrar do governo federal o cumprimento de uma pauta de reivindicações do setor. Entre os pedidos estão a destinação de R$ 500 milhões para a construção de 50 mil casas no campo e o aperfeiçoamento do seguro rural.

No Plano Safra, que será divulgado na próxima semana, o governo vai anunciar novas medidas para os pequenos agricultores. Entre elas, mudanças no serviço de assistência técnica e extensão rural e a criação de um selo para a agricultura familiar.

NOVO DIRETOR-PRESIDENTE DA EMBRAPA TOMA POSSE.

Tomou posse nesta quarta, dia 15, em Brasília, o novo diretor-presidente da Embrapa, Pedro Arraes. Na cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que não vão faltar recursos para os investimentos em pesquisa.

O presidente da República prometeu que não vai faltar dinheiro para os projetos importantes da Embrapa. Ele cobrou de Arraes atenção especial as ações internacionais, que mantenham o Brasil como referência mundial em agricultura tropical. Para o novo presidente da empresa, o desafio é continuar produzindo e exportando tecnologia sem se descuidar das necessidades dos agricultores brasileiros.

O uso de critérios técnicos na escolha do pesquisador Pedro Arraes para a presidência da Embrapa foi o principal ponto destacado pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que elogiou a careira do agrônomo geneticista, que tem mais de 50 trabalhos científicos publicados.

Pedro Arraes quer intensificar o trabalho com instituições de pesquisa e assistência técnica estaduais e fortalecer parcerias com empresas privadas.

Uma das primeiras medidas do novo diretor-presidente deve ser formar um grupo de trabalho para definir seis prioridades. Entre elas, devem estar questões consideradas importantes para a antiga gestão, como o desenvolvimento de novas variedades de transgênicos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

CELEIRO DESCOBERTO NA JORDÂNIA DÁ PISTAS SOBRE A ORIGEM DA AGRICULTURA.

Concepção artística de como seria o celeiro.

Escavações na Jordânia, nas vizinhanças do mar Morto, revelaram um dos mais antigos conjuntos de celeiros do mundo, trazendo pistas sobre as origens da agricultura no Oriente Médio. As estruturas, com cerca de 11 mil anos de idade, foram estudadas pelos arqueólogos Ian Kuijt e Bill Finlayson e estão descritas na revista científica "PNAS". A arquitetura dos celeiros revela paredes de adobe, pedra e pau-a-pique, com assoalho elevado para permitir a ventilação dos cereais (cevada e aveia selvagens) e dificultar o ataque de roedores. Aparentemente, os moradores da região estavam recolhendo essas plantas de forma intensiva na natureza, o que, nas gerações seguintes, levaria à agricultura propriamente dita.